
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Rondonópolis no último dia 9 de fevereiro/2026, para debater sobre Direitos Humanos no município e escutar a sociedade para construção coletiva de soluções sobre os diversos problemas ligados ao tema, foi apresentada a Associação de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, que tem como meta ampliar o diálogo entre o poder público e entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Com o plenário da Câmara lotado, diversas instituições, movimentos populares e grupos que lutam pelo reconhecimento dos seus direitos manifestaram suas demandas e desafios de estarmos vivendo um tempo tão marcado pela negação do acesso a esses direitos e invisibilização de pessoas que sofrem a privação desses direitos fundamentais. Na ocasião foram homenageadas algumas pessoas que atuaram no município em defesa dos direitos humanos: Pe. Günther Lendbradl, Pe. José Cobo Fernandez, Prof. Ivanildo José Ferreira e Baltazar Ferreira, juntamente com as Irmãs Catequistas Franciscanas, Anita David e Isabel Pereira da Silva. Todas elas ligadas a pastorais e serviços na Diocese de Rondonópolis, que na década de 1980 criou e manteve funcionando em suas dependências o Centro de Defesa de Direitos Humanos Simão Bororo, nome que fazia referência ao indígena assassinato juntamente com Padre Rodolfo Lunkenbein em 15 de julho de 1976 na Missão Salesiana de Meruri, em Barra do Garças-MT.
Pe. Gunther recordou o trabalho e os desafios enfrentados pela Igreja e sobretudo por aqueles que lutavam pelos direitos humanos naquele período, inclusive que eles atuavam sobre a mira do Sistema nacional de Inteligência, comandado pelos militares. Destacou que as questões ligadas à concentração fundiária e má distribuição da terra gerava enormes conflitos. Neste contexto foram realizadas caminhadas de luta pela terra que foram feitas a pé, de Jaciara até Cuiabá. Outro desafio eram as arbitrariedades e violências que ocorriam no presídio. “Lá também estão os filhos de Deus”. Recordou o apoio de Dr. Ari e Dra. Angela, advogados que atuaram com muita dedicação nessa causa. Irmã Isabel, que há mais de 40 anos se dedica ao cuidado dos pobres nas periferias, recordou que tudo o que foi feito foi trabalho de muitas mãos; “Nada foi feito por nós somente, muitas mãos somaram nesta desafiante tarefa”.
Embora já se passaram mais de 40 anos desde a criação do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Rondonópolis, muitos desafios ainda persistem sobre esse tema vital. A Igreja Católica defende os direitos humanos fundamentando-os na dignidade inalienável de toda pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus, reconhecendo a Declaração Universal de 1948. A Doutrina Social da Igreja considera esses direitos universais, invioláveis e inalienáveis, essenciais para a justiça social e a proteção da vida e da pessoa humana.
Vivendo em um período no qual tantos direitos da pessoa humana são negados, o Papa Francisco nos recordou que “nada do que é humano pode ser indiferente aos cristãos” e que é missão da Igreja o trabalho pela justiça social, pois sem ela não há paz, recordava o pontífice.
Ao final da audiência, um grupo grande de mulheres de pessoas privadas de liberdade expressaram suas angústias e problemas ligados à situação dos presídios em Rondonópolis, pedindo que tanto a Câmara Municipal como a Associação recém instalada, bem como as autoridades presentes as ajudassem nas demandas por elas apresentadas.
A audiência pública foi promovida a pedido dos vereadores Wendel Girotto e Junior Mendonça. O Conselho Diocesano de Leigos, a Pastoral do Povo da Rua, a coordenação das Cebs e Frei Silvio, OFM marcaram presença representando a Diocese.
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Fotos e texto: Prof. Dr. Adilson José Francisco
Excelente reconhecimento aos irmãos/são de caminhada. Obrigado companheiro professor Adilson.